• ESSA É A NOSSA SORVETERIA -Q 22 LT 49 S OESTE-GAMA
  • O NOSSO TEMPERO CONQUISTA
  • PRAÇA 02 Setor Sul Gama DF
  • SANTA MARIA NORTE AC 319

Bem Informado Ninguém é Enganado

Bem Informado Ninguém é Enganado

Agora em casa, mãe de bebê sequestrado no Hran espera que criminosa continue presa

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Foto: Breno Esaki
Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br
Escondido na Chácara Santa Luzia, na Estrutural, o barraco de madeira construído há cerca de dois anos guarda um turbilhão de histórias acumuladas em poucas horas. São apenas dois cômodos separados por um pano e mobiliados com produtos colhidos “com sorte” no lixão. Ali, onde a cama é rigorosamente arrumada, dormiram, pela primeira vez, Sara, Jhony e o bebê, que foi raptado da maternidade e recebeu o nome do pai. Pela manhã, a família ouviu com alívio a notícia de que a sequestradora, que causou tanta dor, permanecerá presa.
Na primeira manhã em casa, Jhony Junior intercalava mamadas, dormidas e olhares de alerta e de curiosidade. No futuro, segundo a mãe, ele saberá exatamente o que aconteceu nos primeiros dias de vida. Por enquanto, a tranquilidade reina no imóvel simples construído pelo pai, apesar da entrada e saída de equipes de reportagem. “Fiquei famosa. Nem consegui comer”, brincou Sara Maria Alves, 19 anos. Por horas, o menino calmo não chorou nenhuma vez.
“Agora está tudo bem, mas o trauma vai ficar. Consegui dormir, mas não saí de perto do meu filho. Foi desesperador”, lembrou a mãe, que foi ao corredor participar de um “dia da beleza” promovido pelo Hospital Regional da Asa Norte e se deparou com a cama vazia. “Eu vi a mulher rondando a maternidade. Ela falou que levaria dois meninos, mas nunca pensei que roubaria um bebê”, disse a jovem, que precisou de remédio para dormir e foi segurada por enfermeiras. “Chorei muito, queria me jogar pela janela. Pensei que a mulher pudesse fazer alguma maldade.”
Em casa, o pai recebeu a notícia pelo conselheiro tutelar que acompanha a família há meses. “Foi o fim do mundo. Peguei todo o dinheiro que eu tinha e tomei um ônibus. Tentei manter a calma, mas assim que cheguei já me levaram a um psicólogo e policial. Sara chorava muito”, recordou Jhony dos Santos, 20. “Graças a Deus meu filho apareceu”, comemorou.
Apontada como sequestradora, a ex-estudante de enfermagem Gesianna de Oliveira Alencar, 25 anos, permanecerá presa. A decisão foi tomada ontem pelo juiz Aragonê Nunes Fernandes em audiência de custódia no Tribunal de Justiça. Hoje ela será levada à Penitenciária Feminina, a Colmeia, por tempo indeterminado. Apesar de ser ré primária, o magistrado entendeu que o caso é de “periculosidade social”, além de ter declarado identidade falsa para fugir da ação do Estado.                       Mágoa, pena e sede de justiça
Sara é reservada e de poucas palavras. Ainda tenta entender e lidar com tudo o que passou nos últimos dias. “Eu sinto raiva. Muita raiva, e não perdoo. Ela tem que ficar presa mesmo. Se ficar solta, pode pegar outros bebês”, afirmou ao saber, pela reportagem, que a mulher que raptou seu filho ficaria presa. O pai espera por justiça: “Raiva eu não tenho, mas é difícil entender como uma pessoa pode ter feito isso. Tem que pagar”.
“Sinto um pouco de pena. Fiquei revoltada com a atitude, revoltada com ela ter conseguido entrar e sair do hospital com um bebê roubado. Espero que ela peça perdão a Deus e que ele a perdoe”, complementou Dalvina Maria dos Santos, dona de casa de 40 anos e mãe de Jhony, o filho caçula.
Por um futuro melhor
Até colocar as mãos no filho, Sara e Jhony não sabiam o sexo do bebê. O pré-natal não foi realizado como deveria, sem nenhuma ecografia. “Ele não é lindo?”, dizia a mãe, sorridente. Nada de nervosismo: era felicidade, garantiu.
“Quero que ele tenha uma realidade diferente da nossa. Já cresci no sofrimento, não quero isso pra ele. Quero conseguir um emprego melhor para sustentar minha família, terminar de arrumar a casa, dar conforto ao meu filho”, revelou o pai.
Ele nasceu e cresceu na Estrutural e concluiu o primeiro ano do Ensino Médio. Hoje, Jhony trabalha com reciclagem. Em dias de sorte, diz que tira até R$ 100. No fim do mês, porém, o montante não costuma chegar a um salário mínimo. “Dá para manter gás e o básico da comida. Não tenho medo de trabalhar, só queria ter oportunidade”, desabafou. Na cozinha improvisada tem um fogão velho, uma geladeira estragada, um par de panelas e poucos mantimentos.
Sara quer que o filho seja jogador de futebol. “Quem decide é ele”, garante o pai. O casal está junto há dois anos, e o rapaz garante que a gravidez foi planejada. “Planejada por ele”, revelou, aos risos, a mãe, que estudou até a quarta série, nasceu no Piauí e veio com a tia para Brasília há pouco tempo.
“Sara era largada, nós a acolhemos e eles começaram um relacionamento”, afirmou a mãe de Jhony. “Não sei de onde tirei forças, foi coisa de Deus. Enquanto o bebê estava longe, eu só conseguia pensar se ele estava sendo alimentado, mas sempre confiei que ele voltaria”, contou.
O Conselho Tutelar começou a acompanhar a família quando a menina ficou grávida, a pedido da equipe de saúde da cidade. Na época, a jovem dizia ter 14 anos, informação contrariada pela identidade. “Agora, o acompanhamento será diferente para preservar a criação”, informou o conselheiro Djalma Nascimento.
 
NOSSOGAMA.COM.BR © 2013 | Traduzido Por: Template Para Blogspot