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Restaurante Dragão fecha as portas após 33 anos

domingo, 30 de outubro de 2016
Kleber Lima
Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br
A notícia pegou os clientes de surpresa. Depois de três décadas fazendo história no setor gastronômico da capital, o restaurante Dragão fecha as portas hoje. Com sede no Conic, o estabelecimento, famoso pelos pratos tradicionais da culinária chinesa, encerra uma longa temporada no centro da cidade com happy hour especial. A loja do Brasília Shopping, entretanto, seguirá aberta.
Para o proprietário Carlos Namba, o segredo do sucesso ao longo dos 33 anos de funcionamento do negócio é o mesmo: honestidade. Além disso, garante ele, o sabor é inquestionável. “Durante oito anos, buscamos definir e estudar sobre a cozinha chinesa tradicional. Não queríamos ser mais um no mercado, onde o produto oferecido costuma ser gorduroso. Ao contrário da fama que ganhou, a comida chinesa é, sim, muito bem preparada, saudável, diversificada e com um bom custo”, afirma.
Prestes a encerrar as atividades, Namba lembra do dia da inauguração. “Foi em 1983. Aqui, já funcionava um restaurante chinês, mas o proprietário era coreano. Eu mesmo era cliente assíduo. Desde então comecei a trazer cardápios do mundo inteiro para ajudar a melhorar a qualidade dos pratos. Três meses depois, comprei o estabelecimento”, conta.
Para os frequentadores do Dragão no Conic, o sabor vai deixar saudade. “Meu filho era bebê e nós já vínhamos almoçar aqui. Depois, veio o outro filho e continuei trazendo eles. O que mais atrai é a comida, é maravilhosa. Existem outros restaurantes chineses na cidade, mas nada se compara ao que o Dragão serve. Recebi a notícia com muita tristeza”, afirma a empresária Silvana Noronha.
Não por acaso, ela e o restante da família resolveram se despedir do local em um grande almoço, ontem. “Chamamos todo mundo. Não posso sair daqui hoje (ontem) sem pedir o rolinho primavera, o arroz colorido e a banana caramelizada. Comia quando estava grávida”, lembra.

Clientes inconformados
Emocionados, os clientes fizeram questão de relatar o vínculo que foi criado não apenas com o estabelecimento, mas também com o dono do negócio. “Venho ao Dragão, pelo menos, duas vezes por mês. Conheci o restaurante logo na abertura e me tornei amigo do dono, que foi fotógrafo da Veja na época em que lutava nas lideranças indígenas”, declara o líder indígena Marcos Terena, ressaltando a falta que a cozinha vai fazer. “O cardápio é bom e a amizade com o proprietário é ótima. É uma perda para Brasília”, finaliza.
Quem também reagiu ao fim das atividades do restaurante foi o engenheiro Estefan Machado. “Venho aqui há 30 anos. É tradicional, gostoso e acolhedor”, analisa. Desde que tinha dois anos, ele frequentava o local com a família. “Vinha carregado em uma cadeirinha, mas vinha. O dono poderia ter pensado em passar para outra pessoa ao invés de fechar. Seria muito bom”, conclui.
A analista legislativa Wanessa de Melo Franco compartilha a opinião. “Já são três gerações da minha família que frequentam o Dragão. Fiquei muito triste. Comentei com o pessoal do trabalho e até postei no facebook. Era uma referência”, observa.

Saiba mais
Localizado no centro da capital, entre o cruzamento dos eixos Rodoviário e Monumental, o Setor de Diversões Sul (SDS), popularmente conhecido como Conic, ainda aguarda uma revitalização que nunca saiu do papel. Inaugurado por volta de 1967, ou seja, sete anos após a inauguração de Brasília, o local reúne restaurantes e bares tradicionais da cidade.
Por muito tempo, no entanto, o Conic teve sua imagem marginalizada pela violência, tráfico de drogas e prostituição, cenário que vem mudando a cada dia. Hoje, o local é palco de eventos importantes da capital. (JBr)
 
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