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HÉLIO DOYLE (JBr 05/08)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O apertado nó dos salários dos policiais tem de ser desatado

A possível razão para que os salários dos policiais civis do Distrito Federal sejam equiparados aos dos policiais federais é a origem comum — o antigo Departamento Federal de Segurança Pública, que com a Polícia Militar era responsável pela segurança da capital da República. Mas Polícia Federal com atuação nacional é uma coisa, polícia judiciária de uma unidade da Federação, ainda que capital federal, é outra bem diferente.
A realidade, porém, é que a equiparação existe há 20 anos e é extremamente complicado romper com ela agora. Os policiais civis de Brasília são qualificados, organizados e têm poder de pressão.
E para complicar mais, os policiais e bombeiros militares não aceitam que seja dado aumento aos policiais civis sem que eles também sejam beneficiados. É a velha história: equiparação puxa equiparação, mesmo que sem razão.
Solução precisa ser permanente
Como antes sobravam, no governo de Brasília, dinheiro nos cofres e irresponsabilidade nos gastos, não havia problema em aumentar os salários. Mas agora é hora de o governo pensar bem em como desatar este nó da segurança pública.
Uma solução permanente, e não circunstancial, pois a cidade não pode ser refém eterna de policiais insatisfeitos.
Radicalizar é tiro no pé
Uma coisa é reivindicar e lutar por reivindicações, justas ou não. Outra é tomar decisões radicalizadas que prejudicam a população e desmoralizam o Estado.
Ao partirem para a radicalização, paralisando as atividades em período de Olimpíada, os policiais civis perdem apoio na sociedade. Pode parecer irrelevante para os mais exaltados, mas não é. A instituição é que perde em sua imagem de protetora da população.
É péssimo para a sociedade quando o povo não admira a polícia.
Ridículos e sem criatividade
Os policiais civis poderiam também ter evitado as faixas em inglês. Copiaram seus colegas do Rio de Janeiro, que fizeram protestos no aeroporto para deixar mal o governador de lá perante os turistas estrangeiros. Mas deixaram mal foi o país.
Faixas em inglês são factoides bobos e sem eficácia, a não ser provocar algumas matérias, geralmente tão bobas quanto, na imprensa.
Discursar é só falar
O movimento dos policiais civis é excelente oportunidade para distritais fazerem sua demagogia cotidiana. Não interessa a eles indicar ao governo uma maneira de resolver o problema, se é que têm — querem é acirrar os ânimos e desgastar o governador Rodrigo Rollemberg.
Na assembleia dos policiais estavam lá, no palanque, as maiores expressões da demagogia e do oportunismo político distrital. Não têm a menor ideia de como resolver o problema, querem é se aproveitar do movimento pensando em benefícios eleitorais.
Como aplicar melhor o orçamento
Já que esses distritais estão tão envolvidos na batalha, o governo poderia propor a eles um corte radical nas altas e inúteis despesas da Câmara Legislativa: verbas indenizatórias, gabinetes gigantescos repletos de comissionados, mordomias, compra de automóveis novos de luxo, viagens internacionais para nada e por aí vai.
É tanto dinheiro desperdiçado na Câmara Legislativa que talvez desse para arcar com os aumentos dos policiais.
Uma lição elementar
É claro que todos os trabalhadores têm direito a terem seus salários reajustados e a receberem aumentos salariais quando há um crescimento da produtividade individual ou coletiva.
Mas quando uma empresa não tem como pagar os reajustes e muito menos dar aumento, quem perde são os próprios trabalhadores.
Ou a empresa aumenta os salários de alguns e demite outros, ou, no limite, acaba fechando e todos perdem o emprego. Há inúmeros casos assim.
É como funciona o capitalismo. O que varia de um país para outro é o grau de proteção dos trabalhadores após a demissão.
O Estado voltado para si mesmo
Os servidores públicos fogem desse modelo por terem estabilidade. O Estado não pode demitir alguns para aumentar os salários de outros, como fazem as empresas privadas.
Aí, se o Estado aumenta salários além de suas possibilidades, quem perde é a população: há menos dinheiro para o custeio dos serviços públicos e para investimentos. São reduzidas as despesas na saúde, na educação, na mobilidade, na segurança, na cultura, nos programas sociais.
Se não houver bom senso, em breve o Estado existirá apenas para pagar seus servidores. Deixará de servir à população, especialmente aos mais necessitados, para servir a seus funcionários.
Privilégios injustificáveis
Muitas categorias têm razão ao reclamar da falta de critério do governo ao conceder aumentos a alguns e a outros não. Muitas vezes servidores já bem remunerados, e com poder de pressão, conseguem aumentos que outros, que ganham menos, não conseguem.
Falta um critério que seja aplicado para todos. É difícil, por exemplo, justificar aumentos para os servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas diante do quadro crítico das finanças públicas.
 
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