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Bem Informado Ninguém é Enganado

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Messi e o 'último' tango: o que passa na cabeça do melhor do mundo?

segunda-feira, 27 de junho de 2016
Ricardo Zanei, do ESPN.com.br
GETTY
Messi perdeu pênalti e falou em despedida da seleção argentina
Messi perdeu pênalti e falou em despedida da seleção argentina
Silva corre para bater o pênalti.
Messi está no meio-campo, envolto pelo braço direito de Kranevitter.Silva chuta forte, rasteiro, no canto direito de Romero.
Messi olha.
Silva vibra. Uma nação explode. Sim, de novo. Sim, nos pênaltis. Sim, o Chile repete o script de 2015 e é campeão da Copa América Centenário.
Messi sai para o lado direito. Ninguém, ninguém ousa chegar perto. Ele caminha e senta no banco de reservas. Sozinho. Olhar no infinito. Sem ninguém por perto.
A cena acima poderia ter sido descrita em algum tango. A música que virou símbolo da Argentina é marcada pelo drama. Nunca há sorriso sem sofrimento. Nunca um amor é conquistado sem um coração despedaçado.
“Terminou para mim.”
A final da Copa América Centenário foi um tango para Messi. Na verdade, foi mais uma canção de esperança que terminou em dor e desespero, mais uma música dramática em um disco que parece girar sem fim, intitulado “Messi e a seleção argentina”.
Pausa na história. Rebobinemos a fita, ou melhor, voltemos no tempo por alguns instantes.
GETTY
Messi, cabisbaixo após pênalti perdido
Messi, cabisbaixo após pênalti perdido
Vidal é quem abre as cobranças de pênaltis na final da Copa América Centenário. Vidal, o melhor em campo, bate quase no meio do gol. Romero defende. É festa da torcida argentina. Ninguém percebe, mas é o começo do tango.
Messi pega a bola. Ajeita. Do outro lado, Bravo, aquele que tantas vezes ajudou Messi a brilhar no Barcelona. Ele solta o pé esquerdo no canto esquerdo. A bola sobe. Sobe muito. Desaparece. Quem faz festa é a torcida chilena. Tango.
O 10, o capitão, desaba. Quase rasga a camisa de raiva. Põe a mão no rosto enquanto caminha sem rumo ao centro do campo. A cada cobrança, lamenta, passa a mão no cabelo, no rosto, lamenta de novo, balança a cabeça, anda de um lado para o outro, perdido.
Se nós aqui tivemos que voltar uns instantes na história para tentar descrever o que aconteceu no gramado do MetLife Stadium, o mundo de Messi parou quando a sua cobrança ganhou os ares.
O que passou na cabeça de Messi naqueles momentos? Fúria, raiva, decepção, desilusão, desespero, tensão, sofrimento, dor. Muita dor. Foi isso? Talvez mais, talvez menos. Talvez nem o melhor do mundo saiba.
Pensei muito no vestiário, acredito que a seleção já terminou para mim. Lutei muito, tentei, são quatro  finais e não consegui ganhar. Fiz todo o possível. Dói mais que para qualquer um, mas é evidente que não é para mim. Desejava mais que ninguém um título com a seleção e infelizmente não aconteceu."
“É uma boa pessoa, mas não tem personalidade... Não tem personalidade para ser um líder”, disse Maradona, no começo do mês, traído pelo microfone em papo com Pelé durante evento na França.
GETTY
Messi, desolado com outro título perdido
Messi, desolado com outro título perdido
Messi é a maior esperança de um título para a Argentina desde que o autor da frase acima pendurou as chuteiras. Foi campeão olímpico, é fato, mas, com o time principal, nunca chegou ao topo do pódio. Não só ele, mas uma, duas, três gerações acumulam 23 anos de “fila” sem uma conquista de expressão. A última: a Copa América de 1993. Com Maradona.
Depois, sete finais em torneios oficiais da Fifa, sete vices. Os três primeiros: Copa das Confederações-1995 (então Copa Rei Fahd), Copa América-2004 e Copa das Confederações- 2005. Messi esteve nas quatro últimas: Copa América-2007, Copa do Mundo-2014, Copa América-2015, Copa América Centenário-2016.
O melhor do mundo saiu ainda cedo de seu país para ser criado no Barcelona, com 13 anos. Lá, ganhou tudo, ganhou de todos. Mas ainda sofre com um misto de esperança e desconfiança, ilusão e desilusão dos torcedores de seu país. Maradona, talvez, esteja nessa lista de críticos do craque quando o assunto é a camisa azul e branca.
Quando veste a camisa da Argentina, inclusive, não canta o hino nacional. É criticado por isso. É criticado por não ter uma identidade argentina. É cobrado por isso, pela falta de títulos.
E aí ele pega a bola para bater o primeiro pênalti, uma responsabilidade da qual ele não pode fugir. Talvez, quisesse. Talvez quisesse que o tango acabasse sem que ele fosse o personagem principal. Mas, sem escolha, ele pega a bola. E isola. Passa um mundo na cabeça do melhor do mundo, um mundo que a gente só pode supor, um mundo que nem ele talvez consiga entender.
"É incrível, mas não dá. Não passamos outra vez nos pênaltis. É difícil, o momento é duro para qualquer análise. É para o bem de todos. Por mim e por todos. Muitos desejam isso. Não se conformam com chegar à final, nós também não nos conformamos. Perdemos outra vez nos pênaltis."
Enquanto os chilenos comemoravam, choravam, gritavam, celebravam, Messi estava ali, impassível. O melhor do mundo, um dos melhores de todos os tempos, um dos que redefine o futebol que amamos, caído mais uma vez. A medalha recebida já retirada do peito, guardada na mão direita. Olhar perdido. Lágrimas nos olhos. Silêncio. Tango.“Terminou para mim”. O último? Esperamos que não.
 
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