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Bem Informado Ninguém é Enganado

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HÉLIO DOYLE - Jornal de Brasília (20/06)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pesquisa pela metade não tem importância

O que indica a pesquisa de intenção de votos para governador divulgada ontem na coluna Eixo Capital do Correio Braziliense? Nada. Por quê? Porque o instituto O&P, talvez o melhor de Brasília, só entregou ao jornal uma parte da pesquisa, escondendo o que poderia permitir a análise real dos resultados divulgados: os índices de rejeição de cada candidato e os níveis de avaliação do governo e do governador.
Sem todos os dados, não há como fazer uma análise dos resultados. E pesquisas só têm valor quando podem ser dissecadas e analisadas. Sem isso, são números sem contexto.

Se as eleições fossem hoje…
Mesmo que todos os dados tivessem sido divulgados, pesquisa de intenção de votos realizada dois anos antes da eleição não têm utilidade prática, a não ser a de verificar como anda a lembrança do eleitorado em relação a alguns políticos mais conhecidos ou que têm se declarado possíveis candidatos.
“Se as eleições fossem hoje…” parece ser o atrativo oferecido pelos que as divulgam. Mas as eleições não são hoje e, mesmo que fossem, teria havido uma campanha eleitoral na qual muita coisa poderia mudar.
Satisfeitos com muito pouco
Só os que tiverem acesso integral aos resultados da pesquisa, como o governador Rodrigo Rollemberg (foto) e alguns integrantes de sua equipe, poderão avaliar os resultados. Mas há o risco de fazerem a leitura errada, como fizeram recentemente com a pesquisa periódica feita para a Federação das Indústrias pela agência FSB.
Comemoraram, sabe-se lá por que, uma ligeira queda na desaprovação ao governo.
Que é altíssima. Festejar queda de alguns pontinhos mostra o amadorismo dos analistas.
Tudo bem, mas qual a rejeição?
A pesquisa divulgada ontem mostra que o governador lidera a intenção de votos em três cenários, com 16%, 21,1% e 18,1%. Nos segundos lugares estão Robson Rodovalho no primeiro cenário (11,5%, com mais sete candidatos) e Rogério Rosso nos outros dois: 13,1% com mais quatro candidatos e 11,6% com mais cinco candidatos.
O que falta mostrar é qual o índice de rejeição de cada um deles. Porque um candidato com 35% de intenções de voto, por exemplo, e uma rejeição de 60%, estaria liderando na pesquisa, mas com pouquíssimas chances de ganhar a eleição.
E a avaliação do governo?
Faltam outras informações relevantes: os índices referentes à avaliação do governo e do governador.
Só como exemplo: um governador sempre tende a liderar as intenções de voto, exatamente por ser o governador. Por pior que esteja sendo avaliado, sempre terá uma faixa de simpatizantes e seguidores.
Isolada, a intenção de votos – seja lá quem for o governador – pode passar a impressão de que ele está bem na disputa eleitoral.
Mas se seu governo está sendo desaprovado e sua imagem é negativa, a análise pode ser outra.
Em primeiro lugar, nenhum deles
A informação mais importante na pesquisa da O&P é o número dos que, mesmo com tantas opções de candidatos, dizem que não votarão em nenhum deles: 24,2% (com nove candidatos), 33,9% (com seis candidatos) e 28,4% (com sete candidatos). Além de 2,6%, 5,1% e 4,3% de indecisos.
A enorme rejeição à política, aos partidos e aos políticos é parte da explicação. Os candidatos listados pelo instituto são profundamente identificados com a política tradicional e, consequentemente, com a ineficiência e a corrupção que grassam no país.
Não que todos tenham contra eles acusações ou indícios de corrupção, fique claro. Entre os 11 relacionados há três ou quatro possíveis exceções.
Alguém vai ocupar o espaço vazio
O alto índice dos brasilienses que não querem votar em ninguém identificado com a política tradicional mostra o que já foi dito nesta coluna: há um grande espaço para um candidato desvinculado da política tradicional e que possa demonstrar ser competente, eficiente e honesto.
Mas é cedo demais para especulações, mesmo baseadas em pesquisas metodologicamente corretas. Muita coisa ainda vai acontecer até 2018 e não se sabe como estarão o Brasil e Brasília no ano eleitoral.
O ambiente político é que, muito possivelmente, determinará as tendências.
Aliás…
Por que não está na pesquisa o sempre candidato do PSol, Toninho Andrade? Mesmo que o candidato não seja ele, daria uma indicação importante do peso do partido.
Ainda dá, mas o tempo é curtíssimo
Os altos índices de desaprovação do governo e do governador Rollemberg não têm nenhuma consequência automática e inexorável, como querem alguns. Ou seja, a reeleição não está inviabilizada por causa dos índices negativos e ainda há esperanças para o governador.
Mas a recuperação tem ser muito rápida, antes que a imagem negativa que Rollemberg tem hoje se consolide – aí não há quem dê jeito.
O problema do governador é que não há nenhum sinal de que essa recuperação esteja a caminho. E sua imagem negativa caminha para se consolidar se nada for feito até o fim do ano.
 
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