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Bem Informado Ninguém é Enganado

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DESAFIO Focado em sair da crise

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Após assumir em meio a um período turbulento na saúde, secretário quer devolver a normalidade ao DF

ISABELLA VIEIRA
ROBERVAL EDUÃO
Proctologista e professor da Universidade de Brasília (UnB), João Batista de Sousa foi vice-reitor da UnB entre 2008 e 2012 e é professor na instituição desde 1998. Ele também já foi diretor do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e trabalha na instituição desde 1990. Atualmente ocupando o cargo de secretário de Saúde do Distrito Federal, ele substituiu Ivan Castelli, que desistiu de assumir a pasta ainda no ano passado alegando problemas pessoais.
Em entrevista ao Jornal Alô Brasília, o secretário falou sobre os primeiros meses à frente da pasta, o decreto de situação de emergência, as prioridades atuais e como lidar com o Entorno.
Qual a sua avaliação sobre esses primeiros quatro meses à frente da Secretaria de Saúde do Distrito Federal?
A gente tem que partir de como que nós encontramos a rede de saúde no dia primeiro (de janeiro), que foi em situação de crise com as questões principalmente relativas à pessoal e de abastecimento. Quanto ao pessoal, nos deparamos com as dívidas, horas extras, salários atrasados de servidores e outras coisas que normalmente não acontecem no Distrito Federal. Encontramos a rede com falta de insumos para exames de laboratório, por exemplo, materiais médico-hospitalar, escalas de serviços às vezes incompletas, e por aí vai. Encontramos uma resistência muito grande dos profissionais pra aceitarem a fazer horas extras. Então, ao longo desses quatro meses a gente vem procurando restabelecer o abastecimento e foi feita uma reprogramação dos pagamentos atrasados aos profissionais. Eles devem estar recebendo agora a última parcela. Além disso, já foram feitos várias empenhos, como os mais de cento e oitenta milhões na compra de medicamentos e insumos. Hoje a gente ainda tem na rede produtos que estão em falta, sendo que desses alguns são muito importantes e essenciais para atender pacientes em situações críticas. Mas já estamos com todos os empenhos encaminhados. Nós avançamos bastante na questão do abastecimento, mas não conseguimos ainda suprir completamente a rede, já que o processo de compra é um processo muito lento.

No dia 20 de janeiro deste ano, o governador Rollemberg decretou situação de emergência na saúde no DF por 180 dias. Como o decreto tem auxiliado o senhor na gestão da secretaria?
Nós entramos na situação de emergência na segunda quinzena de janeiro. E, no decorrer dessa situação de emergência, nós construímos termos de cooperação com o Ministério da Saúde. Desse termo foi feito uma força tarefa, com grupos de trabalho para avaliar o orçamento e abastecimento, assistência farmacêutica, pessoal, etc. O decreto de emergência não nos traz agilidade em ações para efeitos de compra para o abastecimento, por exemplo. Então esse decreto nos dá uma certa proteção, uma certa sensibilidade para permitir cooperação. Mas ele não é um decreto que me dá liberdade para fazer o que quiser.

A saúde no Distrito Federal sempre foi uma questão delicada e, nos últimos anos, a situação só tem se agravado, com investimentos insuficientes para que haja um salto na qualidade. Não seria necessária uma grande reforma nos principais hospitais do DF?

É preciso uma grande reforma no modelo de atenção primeiro. O conceito de modelo de atenção foi sendo amadurecido no sistema único de saúde e hoje ele é muito forte. É preciso fortalecer as unidades básicas de saúde para que elas, bem estruturadas com equipes bem reparadas e completas, cuidem de um conjunto da população. O modelo de atenção muda uma lógica. As pessoas não podem entrar no sistema pela emergência, mas devem entrar pelas unidades básicas, pois esta é a porta de entrada. Se a gente fizer uma análise hoje do Distrito Federal, há a falta de leitos e também de UTIs. É preciso construir mais unidades hospitalares e uma revitalização importante nas redes já existentes que estão velhas. Há hospitais que não valem a pena fazer investimentos. O hospital do Gama, por exemplo. Os investimentos serão pontuais, mas não um investimento maciço, pois ele deve ser reconstruído, porque já é um hospital antigo e muito improvisado. Não é possível mais, de acordo com as normas da Anvisa, corrigir os defeitos dele. Dessa forma, está no plano de governo a construção para este hospital com uma estrutura um pouco maior. Quando se fala de recurso é um assunto que trata de orçamento. O nosso equivale a mais de 6 bilhões. Diferente dos outros estados, a nossa rede de saúde é própria, então a saúde fica mais cara.

Na gestão passada, o secretário Elias Miziara afirmou que a população tem um “mau hábito” de procurar as emergências à noite. Como o senhor avalia essa afirmação?
Eu não vou avaliar essa afirmação. Eu vou avaliar o contexto. O problema não está na população, o problema está no sistema. As pessoas procuram as emergências mais a noite por uma questão de lógica. Elas trabalham durante o dia. E as pessoas ficam mais temerosas a noite. Então isso é normal. Mas temos que avaliar a questão de como que nós estamos dando assistência à nossa população.

Sempre foi alegado pelas gestões anteriores que o Entorno provoca um inchaço na demanda pelos serviços de saúde aqui no DF. Como o senhor tem lidado com essa questão?

O Entorno eu considero meu, como um problema nosso. O entorno faz parte, ele está ligado ao GDF, tanto no ponto de vista socioeconômico como político. Então, é claro que o sistema único de saúde não cria essa barreira. O governador do Distrito Federal, junto com o governo de Goiás, já teve, pelo menos neste ano, seis reuniões para tratar sobre a questão do Entorno como um todo. Muitas coisas devem ser enfrentadas, mas sem considerar a região como um problema. O Distrito Federal precisa do Entorno, até porque grande parte da população dessa região trabalha aqui. O desenvolvimento do Entorno vai ser importante para o DF e o DF vai ser importante para o desenvolvimento do Entorno.

O quadro atual de funcionários da pasta é suficiente ou há carência de profissionais?

Nós temos 34 mil servidores aproximadamente. Hoje, a estimativa é que se tenha uma carência de 4.500. Isso porque há o término de contratos temporários e as horas extras. Porque, eu não posso ficar com serviço fundamentado em horas extras e nem em contratos temporários, pois isso torna os serviços vulneráveis, que é o que está acontecendo.

Como está a questão do ponto eletrônico? Ele está em funcionamento na rede pública?

Está. Não mudou nada no ponto eletrônico. Ele sempre esteve em funcionamento. Só não estava funcionando nos locais que não estavam instalados ainda. Agora, nos locais que não tem pontos eletrônicos existe um plano de instalação. Mas esta não é a prioridade agora, pois a preferência hoje é insumo, é medicamento, é qualidade de vida e abrir leito de UTI. O ponto eletrônico, onde tem, ele está funcionando. Onde não tem, há projeto para instalação, Mas isto não é a primeira coisa que tem que ser feita agora nessa situação de emergência.

Nós possuímos uma boa estrutura na área de captação e doação de órgãos no DF?

O Distrito Federal tem sido um campeão de captação de órgãos. Os resultados mostram que é o estado que tem melhor desempenho.

Como o senhor espera que a saúde no Distrito Federal esteja ao final deste mandato do governador? Acredita que são possíveis grandes mudanças ou o processo é lento?

Existe um plano de governo que a gente quer levar a termo. O governador está vendo isso e está nos ajudando muito, dando muito apoio. Existe um grupo de trabalho pra fazer as propostas e as avaliações. Em breve o governador deve anunciar o que vai ser feito para a saúde. Eu não posso adiantar ainda, porque é o governador que deve anunciar. Posso adiantar que, quando eu penso na saúde do Distrito Federal, estou pensando e discutindo a crise, pois tenho que sair dela. Mas também estou pensando no sistema de saúde bem estruturado para os próximos 20 anos. Eu não estou pensando somente até o fim do governo, mas tenho certeza de que muito será feito nesses quatro anos.

Da redação do Alô
 
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